Técnicas de conservação do corpo podem ser escolhidas 

Para que o corpo possa ser velado por algumas horas, é preciso que os profissionais da funerária adotem uma série de cuidados. São eles que vão manter a aparência que a pessoa falecida tinha em vida e evitar que o corpo se decomponha e passe a oferecer riscos à saúde dos familiares e amigos que vão se despedir. 

É feita uma higienização com um desinfetante apropriado e bem potente — aplicado, inclusive, nos orifícios do corpo. Além disso, os profissionais especializados aplicam técnicas de conservação que retardam a decomposição do corpo, evitando que a aparência se deteriore e ele comece a exalar odor antes do enterro. 

A mais simples delas é a formolização, ou seja, a aplicação de injeções de formol nas massas musculares, o que garante a aparência saudável de um cadáver por 24 horas após a morte.

Embalsamamento é exigência em alguns casos

Essa técnica originária da mumificação egípcia consiste em remover os órgãos e vísceras, preencher as cavidades com serragem e formol, e aplicar injeções da substância nas massas musculares. Com esses procedimentos, o corpo é resguardado por até 36 horas após a morte.

Vale lembrar que o embalsamento é obrigatório quando o corpo precisa ser transportado por via terrestre por mais de 500 km, ou por via aérea em território nacional. E é obrigatória a aplicação do embalsamento internacional para:

  • percorrer longas distâncias;

  • transporte aéreo internacional;

  • transporte marítimo;

  • resguardar o corpo por 15 dias após a morte.

Primeiro, o sangue é substituído por formol. Depois, os órgãos são removidos, e as cavidades são preenchidas com serragem e fórmula A (uma mistura de substâncias químicas). Então, o corpo é banhado com álcool canforado e colocado em uma urna mortuária com fórmula B, outro composto químico que, junto com a fórmula A, exala um gás conservante, evitando que o cadáver entre em decomposição. Para que isso funcione, a urna precisa ser hermeticamente soldada.

O procedimento é recomendado também quando a morte foi decorrente de doenças que provocam inchaço, como insuficiência hepática ou renal e cirrose hepática. Além desses casos, é necessário embalsamar em circunstâncias como morte por acidente, afogamento ou queimadura; ou quando a família desejar, para que o corpo seja velado com uma aparência serena e saudável. 

Tanatopraxia é a opção mais moderna

Essa técnica mais recente de conservação de cadáveres chegou ao Brasil nos anos 90. Diferentemente do procedimento explicado no tópico anterior, na tanatopraxia não há a necessidade de abrir cavidades para remover órgãos e vísceras.

É utilizado somente um líquido conservante no sistema arterial, e a drenagem do sangue pelo sistema venoso. Isso é feito com um equipamento chamado bomba injetora. Também é aplicado um produto conservante na cavidade torácica, abdominal e pélvica e, quando necessário, é feita a reconstituição cadavérica, com próteses, massas e ceras.

A tanatopraxia garante a integridade do corpo para transportes terrestres de pequenas a longas distâncias, e também pode ser usada como técnica de conservação para transporte aéreo em território nacional. 

Quanto ao tempo de preservação do cadáver antes da decomposição, não é possível predeterminar. Vai depender da concentração dos produtos químicos utilizados, que pode ser maior ou menor, de acordo com a necessidade.

Profissionais deixam o corpo com aparência saudável

Feitos os procedimentos para conservação do corpo, os agentes funerários iniciam os cuidados estéticos. Com massagem, eles soltam os músculos das pernas, braços e pescoço. Em seguida, exceto no caso de homens que sempre deixavam o rosto barbado, tiram todos os pelos do rosto e pescoço, pois ajuda a fixar a maquiagem.  

Logo após a morte, as membranas da face secam, o que provoca o afundamento dos globos oculares. Para que isso não interfira na aparência, os profissionais colocam cones de plástico sob as pálpebras e passam um creme para que não fiquem ressecadas.

Os olhos são colados com um gel adesivo para não ficarem abertos durante o velório; e os lábios são suturados às gengivas para evitar que a boca abra. Depois, os agentes funerários lavam o corpo e os cabelos, penteiam e, se necessário, cortam. Por fim, o morto é vestido com roupas escolhidas pela família, e é feita uma maquiagem no rosto, pescoço e mãos.

Religiões ditam alguns costumes 

As tradições pós-morte variam, principalmente, de acordo com a religião da família.

  • no Cristianismo, o corpo é enterrado até três dias depois do falecimento, mas pode variar em decorrência de questões práticas, como disponibilidade da funerária. Sete dias após o enterro é rezada uma missa para iluminar a alma do falecido;

  • no Judaísmo e Islamismo, o enterro acontece no dia seguinte à morte. Na segunda religião mencionada, o Alcorão é declamado ao lado da sepultura três dias depois, para ajudar na viagem à eternidade;

  • no Hinduísmo, o corpo é cremado e a família, que é considerada impura nesse momento, deve tomar um longo banho e ficar reclusa. 

Cremação não exclui a opção por enterro 

Muitas famílias têm o sepultamento como primeira opção, mas a cremação também merece ser considerada. Além de menos nociva ao meio ambiente, por não liberar poluentes e evitar o surgimento de necrochorume, a cremação não requer manutenção e dá liberdade para a família fazer o que desejar com as cinzas do ente querido:

  • depositar em uma urna guardada num lugar especial da casa;

  • despejar no rio ou no mar, atendendo a um último desejo do morto;

  • guardar em uma urna biodegradável, que germina uma árvore;

  • enterrar e dar um túmulo à pessoa falecida.

Qualquer que seja a escolha pelo destino do corpo e pelos métodos de conservação nele empregados, ela deve ser feita com consciência e por uma empresa especializada. Respeito, dignidade e seriedade são fundamentais para que a família e amigos encarem o enterro com o máximo de leveza e paz possível.

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