1. Negação

O estágio de negação começa assim que se toma conhecimento da possibilidade da perda. O indivíduo em luto não quer acreditar que vai se despedir de alguém querido, pois a dor é tão grande que nem parece real.

Negar a realidade permite adiar um pouco a tristeza e amortecer o golpe. A intenção é esquecer o assunto e, por isso, nessa fase, é normal que ele não queira falar sobre o ocorrido.

Muitas vezes, a negação é implícita e o indivíduo finge aceitar a perda, apesar de, internamente, acreditar que é apenas uma ficção transitória. A maioria das pessoas, porém, nega o luto de forma explícita: é normal que digam “Não pode ser verdade”, “Vou conseguir resolver tudo sozinho”, “Logo vai passar” e “Foi apenas um sonho”.

Nesse estágio, é normal que o indivíduo pareça fora de realidade. Isso, entretanto, não deve ser motivo de preocupação: isso porque até esses devaneios são importantes para a superação do luto e devem passar em pouco tempo.

2. Raiva

Após perceber que a perda vai ocorrer e não há nada que possa ser feito para revertê-la, entra-se em uma fase de profunda frustração. O momento em que se assimila a inevitabilidade da morte é difícil e, por isso, explosões de raiva são compreensíveis. Nesse estágio, também é normal procurar culpados: a si mesmo, as pessoas próximas que foram desatentas e até a Deus.  

Na fase da raiva, é comum pensar: “Por que comigo?”, “Isso não é justo!” ou “O que eu fiz para merecer isso?”. O indivíduo pensa que foi injustiçado, que não merece o que aconteceu e, por isso, procura culpados — afinal, quer que algo explique a perda. Ele fica tão revoltado que não aceita apoio nem palavras de carinho, já que duvida da veracidade e da honestidade de familiares e amigos.

3. Negociação

Nesse estágio, entende-se que a perda ocorreu ou vai ocorrer inevitavelmente e, por isso, tenta-se negociar para que a realidade volte a ser como era antes. Essa negociação pode ocorrer consigo mesmo ou com Deus, por meio de promessas, pactos e sacrifícios. É comum que o indivíduo diga que, se a pessoa amada não for embora, será uma pessoa melhor, mudará suas atitudes, fará caridade e assim por diante.

Além disso, ele acha que o pensamento positivo e a fé resolverão tudo e que o momento de dor é apenas uma fase ruim. No caso de um divórcio, por exemplo, a negociação se caracteriza pela necessidade de agradar constantemente o parceiro, por acreditar que assim ele mudará de ideia.   

Durante a negociação, a mente volta no tempo constantemente e imagina situações hipotéticas em que tudo está como se deseja. Essa fase é importante, pois ajuda a aliviar a dor, mas é breve, pois não se encaixa na realidade e logo se percebe o quanto é cansativo imaginar soluções o tempo todo.

4. Depressão

A depressão surge quando se entende que não é possível negociar a perda. O espaço que antes era ocupado pela pessoa querida torna-se vazio e sobra uma tristeza profunda. Nessa fase, toma-se consciência de que nunca mais se verá quem partiu e chora-se pelos sonhos, pelas lembranças e pelos projetos associados à pessoa amada.

O sofrimento é profundo e, por isso, sentimentos como culpa, desesperança, medo e angústia são muito comuns. A vontade de isolamento e a introspecção também ocorrem na fase da depressão, pois o indivíduo não quer falar sobre o assunto nem aceita o apoio de familiares e amigos, por acreditar que essa tristeza é irremediável.  

São normais pensamentos como “Nunca mais as coisas voltarão ao normal”, “Nunca vou conseguir superar essa dor”, e “Serei infeliz para sempre”. Parece apocalíptico, não? O estágio da depressão deve ser mesmo intenso, para que na próxima fase tudo comece a melhorar.  

5. Aceitação

Esta é a última fase do luto, segundo a teoria de Elisabeth Kubler-Ross. É quando se aceita a perda, bem como abandonam-se o desespero e a negação. O indivíduo percebe que tem de continuar a viver, mesmo que a pessoa querida não esteja mais ao seu lado.

A aceitação ocorre porque, com o tempo, as dores do luto diminuem. A partir de então consegue-se voltar os pensamentos para outros assuntos e, aos poucos, reorganizar a própria vida.

Como as emoções não estão mais à flor da pele, consegue-se entender que é possível enfrentar a situação, dentro das próprias limitações. Os pensamentos de tristeza são trocados pelos de esperança, como “Não é o fim do mundo”, “Conseguirei superar este momento”, e “Posso aprender algo com essa dor?”. Já não há mais tanto isolamento, consegue-se retomar o contato com amigos e conversar sobre o assunto.

É importante saber que nem todos passam pelos estágios do luto de forma linear ou vivenciam todas essas etapas. Cada um reage a ele de uma forma e não existe certo ou errado nesses momentos.

Porém, se você sente que está em luto há muito tempo, não consegue superar sozinho e isso tem prejudicado a sua vida, procure um psicólogo. Alguns sintomas, como pensamentos suicidas e perda de peso, são alertas da necessidade de receber ajuda profissional.

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